Há muito este “anjo” me perturbava de uma forma fascinante
em plena avenida do subúrbio (próxima à estação de metrô da Pavuna onde vivo).
Um anjo que habita a pichação e o grafite nos
desafiando a “catalogar” entre a transgressão” e a “beleza estética”. Um anjo silencioso.
Quase disforme ou hiper-formado. Um anjo
que nos leva para além das religiões e conceitos estéticos. Mas mesmo assim,
como era tão belo!
Levei meses para tomar coragem e registrá-lo. Há sempre um
receio de se filmar ou fotografar algo por aqui. E aquele anjo, na maior parte
do tempo estava sendo embarreirado por algum carro de passeio. Mas este dia chegou. Resolvi fazer uma tomada do outro lado
da rua. Para tentar dizer que havia distancias semânticas entre aquele anjo e
eu.
Aquele anjo havia perdido seu criador como qualquer obra de
arte urbana. Mas sua autonomia agora o levava para outros lugares. Lugares estes
que se tornam porto seguro àqueles que se propõem a ceder tal espaço ao ceder seus
valiosos tempos.



























