O ancião, mais antigo do morro, acorda em uma manhã não muito diferente:
Eu ouço do meu barraco as chuvas de balas que os helicópteros cospem em nossas cabeças.
Eu ouço do meu barraco as chuvas de balas que os helicópteros cospem em nossas cabeças.
(Espero a qualquer momento essas balas rasgarem minhas telhas e me rasgarem em seguida.)
São como deuses do ressentimento que marcaram em nossos corpos toda a culpa.
Esta culpa é uma mentira! Vocês é essa culpa! Vocês a carregam.
Vocês, com seus discursos eleitoreiros de erradicação da criminalidade,
Não passam de projetos obscuros para mais uma solução final!
No fundo, pobre é uma doença em seus corações! Acreditam realmente que somos a causa.
Estão errados. Não somos a causa, somos o efeito! Advinha de onde vem à causa?
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Eu. Pássaro preso. Cantando incessantemente nesta sinfonia urbana de pedras e motores. Com meus dedos, escrevo nas paredes das cavernas o meu silêncio que não se calará. É o meu sangue que serve de tinta.
Ás vezes tenho vontade de rir de toda essa farsa que é a vida. Ela é um teatro e nós somos os piores atores.
A dor transforma-se em fome quando a fome não se transforma em dor.
Recurso
Aqueles dias tão distantes
Você me disse que não daria
Por uns instantes.
Daria tempo,
Daria calma,
Daria trauma.
E se tentássemos ser o que não somos?
Somos tão estranhos,
Somos tão solitários.
Sombras através dos anos.
E seu eu dissesse que nada de você espero mais?
E se eu dissesse que tudo tem demais?
Não sei se vale
Vale a pena vale mais que qualquer outra sentença.
Atrocida exibição
Parece justo que você propague a dor,
Àqueles que você arbitrariamente julga ser inferior a você?
Pois saibas que você é bem mais inferior
Que uma bactéria.
E esta ainda tem seu valor.
Que o vírus acabe com o teu sistema, covarde!
Você não consegue ouvi-los gritar?
Não são humanos mas bem mais que do que você seria
Seria em qualquer reino animal.
Pense bem.
Você na passa de um ser primário
Que se julga racional.
Me diz, quem viverá no final?
Tudo é tão absurdo
Sabendo que seres supostamente humanos
Concorrem pro mal
E que depredam a si mesmos.
O Homem que não tinha passado - versão poética da memória de peixe -
existem coisas que permanecem.
mas como guardar aquela lembrança
de que tudo eram fatos reais?
e as manhãs nunca desvanecem.
eu planejei um mundo depois
eu desejei uma vida só nós dois
e pros outros ofereci flores
destruindo a arrogância de meus senhores.
é assim as manhãs desbotadas
o amanhecer nunca foi tão doloroso.
entrega-te cada sonho dessas almas
e o que me resta é somente ameaça.
um grande pedaço de carne
um grande e defumado pedaço de carne.
mudanças de pensamento
não há nenhuma novidade.
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A TERCEIRA CARTA DE UM SUICIDA QUE NÃO SOBREVIVEU AOS OUTROS ATOS.
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Que coisa curiosa a vida: me transformei em uma mensagem eletrônica em sua vida.
As coisas mudam. Mas nem tanto. Ainda usamos relógios de bolso e nem percebemos.
no final, somos todos Tamagoshi no celular de alguém.
no final, somos todos Tamagoshi no celular de alguém.
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A TERCEIRA CARTA DE UM SUICIDA QUE NÃO SOBREVIVEU AOS OUTROS ATOS.
Já não me recordo de quantos suicídios eu cometi na vida, portanto, este título não é tão exato como vem sendo minha vida neste momento.
Mas não sou o único...
Me lembro apenas que o meu primeiro suicídio foi com arma de fogo. Uma bala na cabeça. O segundo foram três tiros, também por arma de fogo, aplicados pelas mãos de terceiros e a cabeça atingida foi o meu cordeiro. Sangue do meu sangue.
já o terceiro foi com uma corda no pescoço, me despedindo da vida adolescente com suas doces ilusões. Possibilidades infinitas de felicidades prósperas.
Mas a corda que estava em meu pescoço foi meu ultimo resquício de romantismo. Porque a felicidade que tanto acreditava nunca seria alcançada. Porque ela nunca foi tangível. Não para mim, nem para ninguém. Esta é uma das grandes ilusões de nossas sublimações: Acreditar em algo em troca de uma falsa continuidade.
É claro que estes suicídios me valeram longas estadias no limbo. Onde flanei pela existência, observando o prazer e a alegria envolta nestes pequenos simulacros de felicidades: O momento. E que me obrigava a ver o quanto eu queria mais. E esta vontade estava no espírito e nos corpos alheios...
Confesso que este suicídio é mais maduro. Porque agora vejo que de nada valeram os anteriores. Nada irá suprir meus desejos e suprimir minhas angustias. Afinal, vocês me tiraram Deus.
Durante muito tempo cresci obediente ao Deus do velho testamento que com sua mão pesada me conduziu a uma dócil vida adulta . E depois disso me veio o Deus do novo testamento com as boas novas. E ele me prometera um céu platônico de redenção contanto que no ato de minha docilidade eu praticasse a mea culpa e afirmasse certezas que não eram minhas.
E agora que não tenho Deus o que farei?
Sei somente que me despi das amarras das falsas promessas para que eu mesmo pudesse criar meu próprio logos já que o resto pertence à comunidade (meu ethos e meu pathos).
Solução não equacional: Não sinto mais a necessidade de buscar a eternidade. A partir disso me livro da constante e dolorosa tarefa de construir a permanência.
Texto composto ao som de : Dirty Three
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As partes que se partem em várias partes.
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As partes que se partem em várias partes.
Ver você nesses dias
Longe de meu tempo
Me fez perceber
O quanto estou fora do meu tempo.
Uma sintonia quebrada
Irrecuperável
Quase morta
Difícil demais para definir
A definição é o cemitério em que não recebe a visita dos vivos.
Estou assim.
Fora do meu próprio tempo.
Flanando por um outro tempo que não me reconhece e me descarta.
Lutando por me encaixar.
Eu sei que perdemos aquela sintonia
Irrecuperável para os dias de hoje.
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