quarta-feira, 4 de maio de 2016

Ao amanhecer.

Viver na linha de um fogo cruzado parece trágico.
Quando não se faz parte desse cotidiano.
É um cotidiano trágico eu diria.
Não um trágico cotidiano porque este tempo de alarmee já passou
E ninguém deu à mínima.

Viver na faixa de Gaza é, de fato, uma metáfora mortal.
É mais que figurações. É puro metal.

“De onde tu é?”
“Quem é tu?”
“É Alemão?”
“É cana?”

Sou morador de um mundo que me parece volátil.
Enquanto pessoas, do outro lado da cidade, teorizam em mesas de bar sobre a “ineficácia” das ações afirmativas para a politica nacional.

O que é a liberdade?
Foi uma carta ou um diploma para Luiz da Gama? (ou simples conceito?)

De uma maneira geral nascemos escravos que buscam uma aparente “carta de alforria”.
Que nos é apresentado como diploma universitário.

“Mas se for técnico melhor para a manutenção de nossa justa sociedade.” 

sábado, 23 de janeiro de 2016

O Anjo urbano do outro lado da rua (enquanto a vida passa).

Há muito este “anjo” me perturbava de uma forma fascinante em plena avenida do subúrbio (próxima à estação de metrô da Pavuna onde vivo).

Um anjo que habita a pichação e o grafite nos desafiando a “catalogar” entre a transgressão” e a “beleza estética”. Um anjo silencioso. Quase disforme ou hiper-formado. Um  anjo que nos leva para além das religiões e conceitos estéticos. Mas mesmo assim, como era tão belo!

Levei meses para tomar coragem e registrá-lo. Há sempre um receio de se filmar ou fotografar algo por aqui. E aquele anjo, na maior parte do tempo estava sendo embarreirado por algum carro de passeio. Mas este dia chegou. Resolvi fazer uma tomada do outro lado da rua. Para tentar dizer que havia distancias semânticas entre aquele anjo e eu.

Aquele anjo havia perdido seu criador como qualquer obra de arte urbana. Mas sua autonomia agora o levava para outros lugares. Lugares estes que se tornam porto seguro àqueles que se propõem a ceder tal espaço ao ceder seus valiosos tempos.



















Eu (e) em (mim) (des)construção

Por Otto K.


Trabalho de meu amigo Otto K. sobre mim mesmo. uma especie de "autorretrato terceirizado" já que foi ele que concebeu toda a parte técnica.