sábado, 11 de agosto de 2012

Desespero, angustia e solidão

JC Anjos,  Estados da mente, estados da alma, 2010.
Guache sobre lápis em papel, 21 x 29,7 cm.




Estado da Mente, Estados da Alma

O que se esconde por trás de nossas intenções, seria algo de total autocontrole? Seria uma espécie de monitor de nossas vontades mais ocultas?Ou o inverso disso?
Sempre há uma força controladora,consciente ou não. No entanto não somos escravos e nem senhores dessas forças. Assim como as leis de um Estado constituído pela polis, o nosso estado de espírito será regido pelo estado das coisas que conformam nossa percepção da realidade. O que nos atinge causará um impacto. E nossa interpretação cognoscívelé determinante.
Resta saber qual o verdadeiro estado por trás da coisa. O Estado polis ou o estado de espírito. De qualquer forma, o estado de espírito, ou seja, da mente, está formado. Ele que rege a alma. Não importa o tempo, podelevar dias ou décadas. O que importa na verdade é o resultado, a consequência. E a origem, o verdadeiro estado causador.
Estado da Mente, Estados da Alma é uma reflexão sobre essa questão. As várias facetas expostas em amarelo, prontas para estourar a qualquer momento. A mente como estado constituinte da razão. Dissimuladora. Pronta para disparar seu descontrole sobre a alma. O cinza cérebro,campo de batalha do multifacetado que é o homem contemporâneo.





Exercício 1 - Guaxe sob papel especial.



Confusão - criação por computação gráfica 2010.




Sem título - 2010.




autorretrato, óleo sobre tela



sem título - colagem de poemas de JC Anjos em papel e tinta guache.



JC Anjos,  

Mesmo Lugar, 2011.
Guache sobre colagem e poemas em papel, 29,7 x 42 cm.


Mesmo Lugar

Qual seria a localização exata do artista no espaço? Ou melhor: qual seria a localização do artista e sua obra no espaço? Qual seria a posição hierárquica desse real?
1º                      Artista                            arquétipo          criação                           arquétipo
2º                     Arquétipo                      artista                 arquétipo                      criação
3º                     Criação                           criação                artista                            artista

Tal equação parece ser bem simples. Mas como responder tal questão quando olhamos para trás? Para o mythós?

Com certeza a fé como religião é tão real quanto os heróis que costumamos acreditar nas histórias em quadrinhos ou em filmes. Pelo menos em um determinado tempo e espaço. Mas isso não exclui a permanência. O nosso imaginário se encarrega de deixa-los lá. Congelados. Suspensos por um fio de credulidade que estica tal qual nossa conveniência do real.

É a partir disto que mesmo lugar tenta, com a permissão do trocadilho, se encontrar no espaço. Mais do que isso, propor a verdadeira gênese de sua ideia. A figura central da obra está dividida entre o abstrato e o real. O “rasgo” central do quadro que procura romper com as barreiras impostas por uma hierarquia do real. O mérito de composição evidente.

O poeta escreve sua poesia num papel. Porém, seu arquétipo, como figura central já mencionada, já possui vontade própria. E por possuir vontade própria, questiona. Suas questões, em forma de poesia, também especulam sobre o seu lugar no espaço. Um espaço que aos poucos perde seu flutuar. Cada vez mais tangível. O onírico toma sua parte na materialidade. Logo, deixa de ser onírico. O lúdico continua sendo o único elo que garante a existência do artista diante de sua obra ainda subjugada.






sem título - várias tintas sobre tela

O retratista de seu  habitat, guache sobre tela, 2010.



JC Anjos,  
Ejaculação noturna, 2011.
Guache sobre colagem em papel, 21 x 27,9 cm




Ejaculação Noturna

Ninguém tem uma vida. Todo mundo tem um blog. Entrem na intimidade das pessoas via youtube. Entrem em seus Orkuts. Entrem. Entrem.
Pseudo-informação, tragi-sensacionalismo.  Acontecimentos em tempo real. O homem pós-orgânico. Pegadinhas que terminam em morte.
O fetiche do consumo. As várias mensagens subliminares e explícitas que absorvemos do sistema capitalista em toda a jornada diária. Quanto impacto irá nos causar? Seus efeitos não se limitam apenas ao objetivo funcional, mas em toda uma filosofia do real.
Esse fetiche sobrepõe a própria vontade. Enraíza-se no desejo latente do indivíduo. Logo, ele se torna máquina sistemática. Algo além da máquina carne. Os símbolos determinantes da mais-valia. Dos valores materiais. Dos cifrões.
O homem máquina ainda dorme. Pouco mas dorme. Porém, seus sonhos agora são uma sequencia do real rotina. Ele adormece sem as realizações que foram impostas pela procura. Os símbolos que ele absorvera durante sua jornada do real, explodem em jatos noturnos resultante de uma personalidade oprimida de desejos não realizados.
E ele apenas balbucia em devaneios oníricos: “Padrão de mercado”.





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